Necropolítica ambiental e injustiça climática: a distribuição social do risco na gestão da vida em tempos de crise antrópica
Palabras clave:
Biopolítica, Distribuição Social do Risco, Injustiça Climática, Meio Ambiente, NecropolíticaResumen
Em face das severas catástrofes climáticas percebidas no Estado brasileiro, emergem discussões acerca da capacidade governamental em promover ações preparatórias para o risco iminente de novos eventos de causa antrópica. Para além disso, é essencial estudar como os mecanismos biopolíticos inseridos no poder soberano reproduzem desigualdades que refletem na maior vulnerabilidade e exposição de determinadas comunidades à morte e às perdas materiais, afetivas e salutares. Enquanto problema central, busca-se compreender de que maneira a atuação soberana do Estado brasileiro em contextos de desastres climáticos manifesta racionalidades necropolíticas que amplificam vulnerabilidades baseadas em preconceitos históricos e determinam quais vidas devem ser protegidas ou descartadas. Como objetivo geral, a pesquisa visa analisar a atuação necropolítica do Estado brasileiro na gestão de catástrofes climáticas e seus impactos na vulnerabilidade de populações racializadas, periféricas e necessitadas. De forma específica, a pesquisa almeja: a) examinar a emergência da necropolítica contemporânea e sua aplicabilidade aos fenômenos socioambientais antrópicos; b) investigar como a desigualdade estrutural e sistemática interfere na distribuição social do risco; e c) verificar de que modo a resposta estatal biopolítica ao risco está atrelada à produção de vulnerabilidades socioambientais. Com fito execucional, foi utilizado o quadrinômio metodológico: abordagem sistêmico-complexa, teorias de base nas Teorias dos Sistemas e da Complexidade, procedimento de revisão bibliográfica e técnica de pesquisa de análise bibliográfica.
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